A chave de um bom filme sobre fenômenos do outro mundo é fazer o espectador crer que seria possível tal fenômeno acontecer com qualquer um a sua volta. Esta aproximação torna uma história frágil mais próxima de se transformar num filme que seja pelo menos razoável. Luzes do Além se apóia com todas as forças numa situação excessivamente fantasiosa e falha completamente por não deixar o espectador sentir o benefício da dúvida.O filme é uma seqüência sem ligações de Vozes do Além. A história gira em torno de Abe Dale (Nathan Fillion), um chefe de família obrigado a conviver com a dor de ter visto filho e esposa sendo assassinados a sangue frio. Sem forças para suportar tamanho choque, Abe decide dar um fim no sofrimento se matando. Ele é levado para o hospital, mas morre na sala de emergência. Em meio a transição para o outro mundo (com direito a luz branca e família esperando a chegada), Abe é ressuscitado. Agora ele enxerga as coisas de modo diferente e percebe que pode prever a morte de uma pessoa pela intensidade da luz que emana do corpo dela. Com esta habilidade ele se incumbe de ser um herói, salvando as pessoas dos planos da morte (qualquer comparação com Premonição é mera coincidência). Porém, algo dá errado e as pessoas que Abe salva se tornam assassinos brutais. Agora ele precisa descobrir como parar esta maldição, antes que isso acabe tomando proporções maiores.
Para embalar a história, o roteirista estreante Matt Venne usa como base a Experiência Quase-Morte (EQM) e um pouco do Fenômeno de Voz Eletrônica (FVE), que rendeu um bom suporte em Vozes do Além. Mas a inexperiência de Venne se torna evidente quando ele insiste em tornar o filme distante e assim garantir apenas o show de efeitos da direção. O roteiro desperdiça preciosos momentos de imersão do espectador na história com explicações superficiais, jogadas de qualquer maneira. O pior momento é quando finalmente somos postos frente a frente com a resolução do caso e recebemos a explicação da forma mais vaga possível, usando amarras até bem estruturadas, mas que sem uma aproximação maior com o credo popular perde completamente a força.
Enquanto isso, a direção de Patrick Lussier (que cometeu a péssima trilogia Drácula 2000, Drácula II e III) se esforça ao máximo para criar um clima assustador, sem grandes resultados. Baseado em cortes rápidos e animações em CGI, é visível a tentativa de Lussier em fazer algo no nível de O Chamado. O uso excessivo de flashbacks é algo que também irrita bastante, como se precisássemos lembrar a cada instante do sofrimento do personagem e esta fosse a única ferramenta imaginada por Lussier.
Depois de mais de 90 minutos de projeção, Luzes do Além consegue apenas frustrar o espectador que queria sair da sala de projeção com algo intrigante para pensar o resto do dia, algo parecido com o que Vozes do Além e Poltergeist fizeram com relação ao chiado da TV.
Vou aguardar Die Hard 4.0
Até a próxima!!!
Um comentário:
Vais ver que, pelo menos, o "Die Hard 4.0" vai valer a pena.
Eu já vi e cumpre com o objectivo de entreter o espectador.
Se calhar não é tão bom como os outros três, mas os anos passam e o Bruce Willis não está mais novo...
Um beijo.
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