´Td de bom p vc. Xau, bju!´, ´Blz, t+! A gtn se fla por aki. Bjaum!´ Entendeu? Não! Então, é bom começar a estudar o ´internetês´. Para muitos, pode parecer assustador, mas essa é a realidade de parte dos textos na internet. A nova forma de escrever começou nas salas de bate-papo e, hoje, está em quase todos os ambientes da rede: e-mails, comentários em blogs, na mania nacional ´Facebook´ e nos programas de conversa online, onde reina absoluta. A internet trouxe, além de inúmeras facilidades, um jeito particular de comunicação escrita.
Os internautas, principalmente os mais jovens, usam códigos. Esses usuários, a despeito de qualquer regra gramatical, criaram um festival de neologismos, aboliram pontuação, acentuação, uniram e encurtaram palavras. Tudo isso em nome da praticidade tão associada à rede mundial de computadores e ao tempo curto para desenvolver, simultaneamente, inúmeras atividades na web.
Para dominar a técnica, o mais recomendado parece ser mesmo o treino. Uma pessoa sem intimidade com essa linguagem ´pod fkar s intendê mta coisa´. No internetês, uma palavra pode ganhar várias maneiras de ser escrita. O usuário tem várias opções, por exemplo, para mandar um simples beijo: bjim, bjaum, bju, bjo, bj, :* ... Que tal tentar marcar um programa? ´Vamu pgar 1 cine no fds´ ou ´vc pod vim aki em ksa?´ Traduzindo, há alguém fazendo um convite para ´ir ao cinema no final de semana´ e chamando para ´fazer uma visita em casa´. As palavras diretamente ligadas ao caso também ganharam denominações próprias, a internet é carinhosamente chamada de ´net´ e o computador de ´pc´ (abreviação de personal computer).
Até para pedir ajuda divina há um jeitinho especial. Clamar ´pelo amor de Deus´ se resolve com um ´pelamorde´. ´Meu Jesus Cristo´? ´Mózezuiscristim´. O tão usado ´Ave-Maria´ virou ´Aff´.Essa forma prática e original de comunicar tem amantes e inimigos. Muitos educadores acreditam que a tendência pode afetar o uso da Língua Portuguesa pelas gerações futuras. O professor do Curso de Letras da UFC Alber Uchoa diz que sempre haverá novas formas de comunicação e que não há como impedir o contato ou a influência entre quaisquer formas de falar ou escrever.
Entre os internautas, também há uma parcela que detesta ´gnt q iskrevi axim´. A estudante de jornalismo Caroline Avendaño , 21 anos, diz ter alguns amigos que não suportam o ´internetês´. Mas para ela, não há problemas em usar a língua virtual. ´Sou totalmente a favor, todo mundo tem direito de escrever do jeito que quiser´, afirma.A também estudante Sara Maués, 13 anos, conta que já teve problemas nas atividades escolares devido ao uso excessivo da linguagem da rede. ´É bom para usar na internet, fora dela pode causar problemas´. Para o professor Uchoa, ´quem tiver competência para ensinar, saberá valer-se da escrita típica dos gêneros com os alunos´.
Prejudicial ou não, o ´internetês´ é uma técnica que tende a crescer. Segundo a E-Consulting, o Brasil tem 25 milhões de internautas. E, de acordo com pesquisa do Ibope/NetRating, os brasileiros ficaram, em julho do ano passado, em média, cerca de 16h e 54min conectados, ou seja, somos a população que passa mais tempo na internet no mundo. Fica claro que a web e sua linguagem são coisas cada vez mais presentes no cotidiano brasileiro. É difícil prever as conseqüências da escrita virtual, mas é possível afirmar que para se comunicar será necessário, pelo menos, conhecê-la.
Fonte: Verdes Mares
Abaixo, pequeno dicionário de Internetês...



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