Eu preciso do meu silêncio, eu preciso da reclusão e dos meus botões para colocar as ideias no lugar. Quando os pés abandonam a terra firme e resolvem me levar para planar por aí, eu puxo as correntes que me seguram ao mundo real e volto ao solo, à minha solidão. Eu preciso dessa reclusão para entender os mecanismos que me movem. Eu preciso dessa ausência de todo mundo para perceber o que me habita. E, com a cabeça mais ou menos em ordem, escolho algumas poucas pessoas para compartilhar o que penso e o que sinto. Elas ouvem meus dramas, colhem minhas lágrimas, escutam a minha voz embargada e seguram minha mão.
Eu preciso de paz para arrumar a bagunça que se criou dentro de mim depois de um longo período vivendo sem refletir, agindo no impulso, pagando pra ver. Eu preciso aprender a desatarrachar os pesos que carrego nas minhas botas. Eu preciso aprender a me livrar do que não é essencial, do que não é prioritário, do que não é. Eu preciso me livrar da sujeirinha que foi escondida embaixo do tapete. Eu preciso aprender a limpar o campo, retirar ervas daninhas e me livrar do que eu não quero ver crescer na minha horta. Preciso semeá-la com amor próprio e auto estima, eu preciso vê-la florescer, mesmo que para isso suje minhas mãos. O terreno é inequívocamente fértil, mas precisa ser trabalhado. E é serviço braçal e diuturno. É serviço de camponês e depende das intempéries do clima.
Talvez esse momento reflexivo dure muito mais do que eu esperava porque eu tenho muito mais para limpar que imaginei. Talvez eu perceba que há coisas que simplesmente não posso absorver. Talvez eu termine por descobrir que tudo é mesmo efêmero e que as certezas que me moveram ontem foram levadas como água da chuva para longe de mim. Talvez nem haja certezas nem garantias nessa vida. Talvez eu esteja mesmo perdida e cambaleante, tateando no escuro e esperando que me salvem desse breu de mim. Talvez eu seja até mais forte do que imagino e consiga superar fácil esses vínculos de dependência que criei. Talvez eu descubra que o caminho certo era justamente o inverso do que eu escolhi e que minha única alternativa seja dar meia volta. Ou não.
Eu não sei, mas a minha ponderação em dar um passo, qualquer passo, para frente ou para trás, já é uma atitude.
(Por Marcele Alencar - Virei fã dessa pessoa que escreve textos bélíssimos e que são capazes de chegar ao coração das pessoas comuns, ou não.)
quarta-feira, 25 de maio de 2011
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2 comentários:
Obrigada pelo carinho, querida!
Fui q fiz... (Cele, minha filha!)
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